LUTO NÃO RECONHECIDO PÓS PERDA GESTACIONAL:

IMPACTOS NA SAÚDE MENTAL DA MULHER SOB A ÓTICA DA FENOMENOLOGIA-EXISTENCIAL

Autores

  • Priscila Carolina Montoski Bacharel em Psicologia da Faculdade Fidelis
  • Jociane Casellas Doutoranda em Bioética pela PUCPR

DOI:

https://doi.org/10.53546/2674-5593.cog.2025.116

Palavras-chave:

Luto gestacional, Fenomenologia existencial, Luto complicado, Humanização

Resumo

A presente revisão bibliográfica tem como objetivo compreender o luto gestacional sob a ótica da abordagem fenomenológico-existencial, analisando como essa vivência singular afeta a subjetividade da mulher e sua rede de relações. A pesquisa propõe uma reflexão acerca das implicações emocionais, simbólicas e sociais da perda gestacional, destacando o papel da validação social e da escuta empática na elaboração do luto. Para isso, realizou-se uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, com base em autores que abordam o luto e a fenomenologia existencial. Os resultados evidenciam que o luto gestacional é permeado por uma invisibilidade social que dificulta sua elaboração e pode favorecer o desenvolvimento de um luto complicado. Observou-se ainda que a ausência de reconhecimento da perda e a falta de suporte emocional comprometem a saúde mental da mulher e de sua família, ressaltando a importância de intervenções humanizadas. Conclui-se que o luto gestacional, mais do que uma reação emocional, é uma experiência existencial que requer tempo, acolhimento e significado, devendo ser reconhecida como legítima e digna de cuidado.

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2026-07-12

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Artigos